quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Questão 5 de A Cidade e as Serras

Explique a teoria: “Suma Ciência X Suma Potência = Suma Felicidade”. Comprovando seus argumento com elementos da obra.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Parnasianismo

Como muitos dos movimentos culturais, o Parnasianismo teve sua inspiração na França, de uma antologia poética intitulada O Parnaso contemporâneo, publicada em 1866.Parnaso era o nome de um monte, na Grécia, consagrado a Apolo (deus da luz e das artes) e às musas (entidades mitológicas ligadas às artes).  
No Brasil, em 1878, em jornais cariocas, um ataque à poesia do Romantismo gerou uma polêmica em versos que ficou conhecida como a Batalha do Parnaso. Entretanto, considera-se como marco inicial do Parnasianismo no país o livro de poesias Fanfarras, de Teófilo Dias, publicado em 1882. O Parnasianismo prolongou-se até a Semana de Arte Moderna, em 1922. 
Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo foram movimentos literários contemporâneos: Realismo e Naturalismo na prosa, e Parnasianismo na poesia. Enquanto a prosa realista representou uma reação contra a literatura sentimental dos românticos, a poesia parnasiana pregou a rejeição do “excesso de lágrimas” e da linguagem coloquial e declamatória do Romantismo, valorizando o cuidado formal e a expressão mais contida dos sentimentos, com um vocabulário elaborado (às vezes, incompreensível por ser tão culto), racionalista e temática voltada para assuntos universais. 

CARACTERÍSTICAS

- Formas poéticas tradicionais: com esquema métrico rígido, rima, soneto. 
- Purismo e preciosismo vocabular, com predomínios de termos eruditos, raros, visando à máxima precisão, e de construções sintáticas refinadas. Escolha de palavras no dicionário para escrever o poema com palavras difíceis. 
- Tendência descritivista1, buscando o máximo de objetividade na elaboração do poema, assim separando o sujeito criador do objeto criado.
- Postura antirromântica, baseada no binômio objetividade temática/culto da forma.
- Destaque ao erotismo e à sensualidade feminina. 
- Referências à mitologia greco-latina. 
- O esteticismo, a depuração formal, o ideal da “arte pela arte”. O tema não é importante, o que importa é o jeito de escrever, a forma.
- A visão da obra como resultado do trabalho, do esforço do artista, que se coloca como um ourives que talha e lapida a joia. 
- Transpiração no lugar da inspiração romântica. O escritor precisa trabalhar muito, “suar a camisa”, para fazer uma boa obra. O poeta é comparado a um ourives.  

1- Técnica de descrição que evita a interferência do autor/pesquisador nos objetos/dados que pretende descrever.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Gabarito 2ª trimestral

1. (Fuvest 2013)  Leia o seguinte texto.

O autor pensava estar romanceando o processo brasileiro de guerra e acomodação entre as raças, em conformidade com as teorias racistas da época, mas, na verdade, conduzido pela lógica da ficção, mostrava um processo primitivo de exploração econômica e formação de classes, que se encaminhava de um modo passavelmente bárbaro e desmentia as ilusões do romancista.

Roberto Schwarz. Adaptado.

Esse texto crítico refere-se ao livro
a) Memórias de um sargento de milícias.   
b) Til.   
c) O cortiço.   
d) Vidas secas.   
e) Capitães da areia.   


Resposta:

[C]

Roberto Schwartz refere-se ao romance “O cortiço” de Aluísio de Azevedo o qual, segundo ele, é mais representativo de práticas recorrentes no Brasil do século XIX do que demonstrativo dos preceitos deterministas da escola naturalista que justificava a decadência social pela mistura de raças.



  
2. (Ufrn 2013)  O trecho abaixo apresenta dois pontos de vista distintos acerca das causas e das soluções para a situação de vida dos capitães da areia.

O padre José Pedro dizia que a culpa era da vida e tudo fazia para remediar a vida deles, pois sabia que era a única maneira de fazer com que eles tivessem uma existência limpa. Porém uma tarde em que estava o padre e estava o João de Adão, o doqueiro disse que a culpa era da sociedade mal organizada, era dos ricos... Que enquanto tudo não mudasse, os meninos não poderiam ser homens de bem. E disse que o padre José Pedro nunca poderia fazer nada por eles porque os ricos não deixariam. O padre José Pedro naquele dia tinha ficado muito triste, e quando Pirulito o foi consolar, explicando que ele não ligasse ao que João de Adão dizia, o padre respondeu balançando a cabeça magra.
– Tem vezes que eu chego a pensar que ele tem razão, que isso tudo está errado. Mas Deus é bom e saberá dar o remédio...

AMADO, Jorge. Capitães da areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 107-108.

Considerando as duas visões presentes no fragmento, Pedro Bala, no final da trama, adota um ponto de vista que
a) concilia as posições de João de Adão e de José Pedro.   
b) se aproxima da posição de José Pedro.   
c) diverge das posições de José Pedro e de João de Adão.   
d) se aproxima da posição de João de Adão.   


Resposta:

[D]

Pedro Bala, no final da trama, se descobre filho de um líder sindical e se torna um líder revolucionário comunista, aproximando-se da visão de mundo expressa por João Adão: “E disse que o padre José Pedro nunca poderia fazer nada por eles porque os ricos não deixariam”.



  
3. (Ufrn 2013)  Observe as ilustrações abaixo, de autoria do artista plástico Poty, que acompanha algumas edições de Capitães da areia.


As ilustrações 1 e 2 representam, respectivamente, o desfecho das personagens
a) Volta Seca, que termina por integrar um bando de cangaceiros, e Sem-Pernas, que se suicida numa perseguição policial.   
b) Querido-de-Deus, que ingressa numa companhia de teatro regional, e Professor, que se transforma no principal mestre de capoeira de Salvador.   
c) Gato, que vai para Ilhéus se juntar ao grupo de Lampião, e João Grande, que passa a ser considerado o ladrão mais perigoso de Salvador.   
d) Boa-Vida, que, como pintor, passa a retratar as figuras do Nordeste, e Raimundo, que foi morto numa briga em meio à greve dos doqueiros.   


Resposta:

[A]

No capítulo “Na rabada de um trem”, Volta Seca sai da cadeia, depois de passar oito dias preso, e resolve morar com outro grupo de meninos abandonados, em Aracaju. Viajando na rabada de um trem, sua viagem foi interrompida pelo bando de Lampião, seu padrinho. O menino, então, integra o grupo de cangaceiros.




TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Morro da Babilônia

À noite, do morro
descem vozes que criam o terror
(terror urbano, cinquenta por cento de cinema,
e o resto que veio de Luanda ou se perdeu na língua geral).

Quando houve revolução, os soldados se espalharam no morro,
o quartel pegou fogo, eles não voltaram.
Alguns, chumbados, morreram.
O morro ficou mais encantado.

Mas as vozes do morro
não são propriamente lúgubres.
Há mesmo um cavaquinho bem afinado
que domina os ruídos da pedra e da folhagem
e desce até nós, modesto e recreativo,
como uma gentileza do morro.

Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo.  


4. (Fuvest 2013)  Guardadas as diferenças que separam as obras a seguir comparadas, as tensões a que remete o poema de Drummond derivam de um conflito de
a) caráter racial, assim como sucede em A cidade e as serras.   
b) grupos linguísticos rivais, de modo semelhante ao que ocorre em Viagens na minha terra.   
c) fundo religioso e doutrinário, como o que agita o enredo de Til.   
d) classes sociais, tal como ocorre em Capitães da areia.   
e) interesses entre agregados e proprietários, como o que tensiona as Memórias póstumas de Brás Cubas.   


Resposta:

[D]

Apenas no romance “Capitães da Areia” as tensões sociais entre ricos e pobres se aproximam das sugeridas nos versos de Drummond, como se afirma em [D].



  
5. (Fuvest 2011)  Entre as variedades de preconceito enumeradas a seguir, aponte aquelas que o grupo dos “capitães da areia” (do romance homônimo) rejeita e aquelas que acata e reforça: preconceito de raça e cor; de religião; de gênero (homem e mulher); de orientação sexual. Justifique suas respostas.


Resposta:

No grupo dos “capitães de areia”, meninos de raças diversas convivem sem que haja alguma hierarquia em relação a isso. Do mesmo modo, não há preconceito quanto à orientação religiosa, visto que tanto uma mãe de santo quanto um padre têm o respeito do grupo. Assim, o preconceito de raça e cor e de religião são rejeitados.
No entanto, algumas regras do grupo reforçam preconceitos: meninas não são aceitas, a princípio, e atos de homossexualismo levam ao banimento do grupo. Desse modo, o preconceito de gênero e de orientação sexual são acatados.



  
6. (Unicamp 2011)  Leia a passagem seguinte, de Capitães da areia:

            Pedro Bala olhou mais uma vez os homens que nas docas carregavam fardos para o navio holandês. Nas largas costas negras e mestiças brilhavam gotas de suor. Os pescoços musculosos iam curvados sob os fardos. E os guindastes rodavam ruidosamente.
            Um dia iria fazer uma greve como seu pai... Lutar pelo direito... Um dia um homem assim como João de Adão poderia contar a outros meninos na porta das docas a sua história, como contavam a de seu pai. Seus olhos tinham um intenso brilho na noite recém-chegada.

(Jorge Amado, Capitães da areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p. 88.)

a) Que consequências a descoberta de sua verdadeira origem tem para a personagem de Pedro Bala?
b) Em que medida o trecho acima pode definir o contexto literário em que foi escrito o romance de Jorge Amado?


Resposta:

a) Ao descobrir que o seu pai tinha sido assassinado numa manifestação em defesa dos direitos dos estivadores e que sempre se referiam a ele com admiração e respeito, Pedro Bala começa a adquirir consciência ideológica e manifesta o desejo de seguir as pisadas do pai, ou seja, tornar-se um líder revolucionário que lutaria contra as injustiças sociais.

b) “Capitães da Areia” foi publicado em 1937, momento em que o Brasil vivia a ditadura Vargas que reprimia ideias comunistas a que eram associadas as lutas reivindicatórias de diversas classes sociais.  




TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
            [Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava “meu padrinho” e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A perna coxa se recusava a ajudá-lo. E a borracha zunia nas suas costas quando o cansaço o fazia parar.
            A princípio chorou muito, depois, não sabe como, as lágrimas secaram. Certa hora não resistiu mais, abateu-se no chão. Sangrava.
            Ainda hoje ouve como os soldados riam e como riu aquele homem de colete cinzento que fumava um charuto.

(Jorge Amado. Capitães da areia.)


7. (Unifesp 2011)  O emprego da figura de linguagem conhecida como “prosopopeia” (ou “personificação”) põe mais em evidência a principal razão pela qual Sem-Pernas é estigmatizado. O trecho que contém essa figura é
a) A perna coxa se recusava a ajudá-lo.   
b) Em cada canto estava um com uma borracha comprida.   
c) (...) depois, não sabe como, as lágrimas secaram.   
d) E a borracha zunia nas suas costas (...)   
e) Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora.   


Resposta:

[A]

Na frase “A perna coxa se recusava a ajudá-lo” existe a personificação de “perna”, o que coloca em evidência a causa de rejeição social de que Sem-Pernas era vítima: o defeito físico.



  
8. (Unicamp 2010)  Leia o trecho a seguir, do capítulo “As luzes do carrossel”, de Capitães da Areia:
O sertanejo trepou no carrossel, deu corda na pianola e começou a música de uma valsa antiga. O rosto sombrio de Volta Seca se abria num sorriso. Espiava a pianola, espiava os meninos envoltos em alegria. Escutavam religiosamente aquela música que saía do bojo do carrossel na magia da noite da cidade da Bahia só para os ouvidos aventureiros e pobres dos Capitães da Areia. Todos estavam silenciosos. Um operário que vinha pela
rua, vendo a aglomeração de meninos na praça, veio para o lado deles. E ficou também parado, escutando a velha música. Então a luz da lua se estendeu sobre todos, as estrelas brilharam ainda mais no céu, o mar ficou de todo manso (talvez que Iemanjá tivesse vindo também ouvir a música) e a cidade era como que um grande carrossel onde giravam em invisíveis cavalos os Capitães da Areia. Nesse momento de música eles sentiram-se donos da cidade. E amaram-se uns aos outros, se sentiram irmãos porque eram todos eles sem carinho e sem conforto e agora tinham o carinho e conforto da música. Volta Seca não pensava com certeza em Lampião nesse momento. Pedro Bala não pensava em ser um dia o chefe de todos os malandros da cidade. O Sem-Pernas em se jogar no mar, onde os sonhos são todos belos. Porque a música saía do bojo do velho carrossel só para eles e para o operário que parara. E era uma valsa velha e triste, já esquecida por todos os homens da cidade.

(Jorge Amado, Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p. 68.)

a) De que modo esse capítulo estabelece um contraste com os demais do romance? Quais são os elementos desse contraste?
b) Qual a relação de tal contraste com o tema do livro?


Resposta:

a) O contraste deste capítulo com os restantes do romance estabelece-se, sobretudo, na descrição das sensações vivenciadas pelos meninos, o que os remete ao clima de uma infância perdida: enlevo e alegria ao andar no carrossel, encanto com a música, proteção emocional ao saberem-se todos irmãos. Essas sensações contrastam com as preocupações pela sobrevivência do cotidiano, com a existência cruel das situações precárias e de alto risco que enfrentavam diariamente. Este capítulo remete as crianças a esse espaço que lhes foi roubado pelas circunstâncias adversas do meio em que nasceram ( “O rosto sombrio de Volta Seca se abria num sorriso”, “ escutavam religiosamente aquela música”, “ se sentiram irmãos”).
b) O romance tematiza a infância abandonada, a marginalização a que é submetida, o descaso e o preconceito que se abatem sobre ela. O contraste evidenciado no capítulo “As luzes do carrossel” põe em evidência as injustas condições a que é submetida a criança, que, mesmo delinquente, não deixa de ser criança, grupo de seres frágeis e carentes, meninos abandonados à sua própria sorte com aspirações e sensações típicas de um universo infantil. Trata-se de uma obra de denúncia social e, como tal, evidencia a tese determinista de que o meio influencia o comportamento e contribui para o destino trágico dessas crianças.



  
9. (Enem 2010)  Texto I

            Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes proporcionava.
            Estranhas coisas entraram então para o trapiche. Não mais estranhas, porém, que aqueles meninos, moleques de todas as cores e de idades as mais variadas, desde os nove aos dezesseis anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam, indiferentes ao vento que circundava o casarão uivando, indiferentes à chuva que muitas vezes os lavava, mas com os olhos puxados para as luzes dos navios, com os ouvidos presos às canções que vinham das embarcações...

AMADO, J. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento).

Texto II

            À margem esquerda do rio Belém, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho ingazeiro – ali os bêbados são felizes. Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas necessidades de cachaça e pirão. No trivial contentavam-se com as sobras do mercado.

TREVISAN, D. 35 noites de paixão: contos escolhidos. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009 (fragmento).

Sob diferentes perspectivas, os fragmentos citados são exemplos de uma abordagem literária recorrente na literatura brasileira do século XX. Em ambos os textos,
a) a linguagem afetiva aproxima os narradores dos personagens marginalizados.   
b) a ironia marca o distanciamento dos narradores em relação aos personagens.   
c) o detalhamento do cotidiano dos personagens revela a sua origem social.   
d) o espaço onde vivem os personagens é uma das marcas de sua exclusão.   
e) a crítica à indiferença da sociedade pelos marginalizados é direta.   


Resposta:

[D]

As descrições de ambiente predominam nos textos I e II, permitindo ao leitor perceber a exclusão social de que são vítimas os personagens. No texto I, os meninos de “Capitães da Areia”, que “à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte”. No texto II, os bêbados, que dormem “nos fundos do mercado de peixe”, à margem do rio Belém.



  
10. (Ufpe 2001)  "Irmão ... é uma palavra boa e amiga. Se acostumaram a chamá-la de irmã. Ela também os trata de mano, de irmão. Para os menores é como uma mãezinha. Cuida deles. Para os mais velhos é como uma irmã que brinca inocentemente com eles e com eles passa os perigos da vida aventurosa que levam.
Mas nenhum sabe que para Pedro Bala, ela é a noiva. Nem mesmo o Professor sabe. E dentro do seu coração Professor também a chama de noiva."
            (Jorge Amado: "Capitães da Areia").

Considerando a obra e o autor do texto, assinale a alternativa INCORRETA.
a)  O autor faz parte do romance regional de 30, quando se aprofundaram as radicalizações políticas na realidade brasileira.   
b)  Jorge Amado representa a Bahia, "descobrindo" mazelas, violências e identificando grupos marginalizados e revolucionários em "Capitães da Areia".   
c)  Dora, Pedro Bala e Professor são alguns dos personagens da narrativa, que aborda a dramática vida dos camponeses das fazendas de cacau no sul da Bahia.   
d)  O tom da narrativa aproxima-se do Naturalismo, alternando trechos de lirismo e crueza. O nível de linguagem é coloquial e popular.   
e)  "Capitães da Areia " pertence à primeira fase da produção de Jorge Amado, quando era notório seu engajamento com a política de esquerda. Daí o esquematismo psicológico: o mundo dividido em heróis (o povo) e bandidos (a burguesia).   


Resposta:

[C]




sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Questão Juca Pirama

— Tu prisioneiro, tu?
— Vós o dissestes.
— Dos índios?
 — Sim.
 — De que nação?
 — Timbiras.
— E a muçurana funeral rompeste,
Dos falsos manitôs quebraste a maça...
 — Nada fiz... aqui estou.
 — Nada! —
 Emudecem;
Curto instante depois prossegue o velho:
— Tu és valente, bem o sei; confessa,
Fizeste-o, certo, ou já não foras vivo!
— Nada fiz; mas souberam da existência
De um pobre velho, que em mim só vivia...
— E depois?...
— Eis-me aqui.
 — Fica essa taba?
Na direção do sol, quando transmonta.
— Longe?
 — Não muito.
 — Tens razão; partamos!
— E quereis ir?...
 — Na direção do ocaso.
DIAS, Gonçalves. I-Juca-Pirama. Gonçalves Dias: antologia. São Paulo: Melhoramentos, s.d. p. 164.
Com base no texto, contextualizado na obra, está incorreto o que se afirma na alternativa

01) A narrativa, em sua totalidade, evidencia uma imagem sentimentalizada do índio.
02) Tanto o pai quanto o filho, na narrativa, são apresentados como heróis idealizados.
03) O diálogo entre pai e filho traduz a resignação daquele em relação ao comportamento deste.
04) O comportamento do filho, na condição de prisioneiro dos Timbiras, para o pai, fere a honra dos Tupis.
05) O velho pai lança mão de sua história de invencibilidade como guerreiro para reconduzir o filho ao rito de morte.

Questão JUCA PIRAMA

(Unb 2011)  I-Juca Pirama
Gonçalves Dias


Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo Tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.

Aos golpes do imigo,
Meu último amigo,
Sem lar, sem abrigo
Caiu junto a mi!
Com plácido rosto,
Sereno e composto,
O acerbo desgosto
Comigo sofri.

Meu pai a meu lado
Já cego e quebrado,
De penas ralado,
Firmava-se em mi:
Nós ambos, mesquinhos,
Por ínvios caminhos,
Cobertos d’espinhos
Chegamos aqui!

Eu era o seu guia
Na noite sombria,
A só alegria
Que Deus lhe deixou:
Em mim se apoiava,
Em mim se firmava,
Em mim descansava,
Que filho lhe sou.

Ao velho coitado
De penas ralado,
Já cego e quebrado,
Que resta? — Morrer.
Enquanto descreve
O giro tão breve
Da vida que teve,
Deixai-me viver!

Não vil, não ignavo,
Mas forte, mas bravo,
Serei vosso escravo:
Aqui virei ter.
Guerreiros, não coro
Do pranto que choro:
Se a vida deploro,
Também sei morrer.



A partir do trecho apresentado, extraído do clássico poema do indianismo brasileiro I-Juca Pirama, julgue os itens a seguir.
a) No contexto da literatura brasileira do século XIX, era incomum o recurso a protagonistas ameríndios em poemas épicos e romances. Especialmente os autores que se filiavam ao romantismo tenderam a dar destaque, nos seus textos a heróis de proveniência europeia, como forma de rejeitar o projeto de uma identidade brasileira, bem como de restaurar os laços com a cultura europeia, que haviam sido cortados desde a independência.
b) O refrão do poema — “Meu canto de morte,/ Guerreiros, ouvi” — remete ao passado do personagem épico I-Juca Pirama, como indica o emprego da forma verbal “ouvi”, flexionada no pretérito do indicativo.
c) Ao utilizar como recurso de composição a narrativa em primeira pessoa do singular, o autor potencializa o apelo romântico do texto, fazendo que o drama do personagem Tupi seja sublinhado pela perspectiva íntima, a partir da qual os fatos são apresentados.
d) Para conferir dramaticidade ao momento de tensão em que o índio Tupi se apresenta à tribo que o aprisionou, o poeta utiliza esquema métrico e rítmico ágil, destacando-se a redondilha maior e as rimas cruzadas.
e) O índio, nesse poema de Gonçalves Dias e nas demais obras do indianismo romântico brasileiro, é representado segundo técnica literária realista, por meio da qual se pretende revelar o índio como legítimo dono das terras e da identidade cultural do país.
f) Verifica-se, nas últimas estrofes apresentadas, que o grande temor do personagem narrador é a morte, apesar de a desdita que a vida reservou a ele e a seu pai ser apresentada em forma de lamento.
g) O movimento romântico brasileiro, do qual o poema I-Juca Pirama é produção exemplar, procurou estabelecer as bases literárias da identidade cultural brasileira, objetivando a superação do cosmopolitismo expresso pela estética neoclássica, característica do Arcadismo.
h) Autores do modernismo brasileiro retomaram o tema do índio moralmente forte como símbolo da nação, como se pode verificar na obra Macunaíma, de Mário de Andrade.