sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Questão Juca Pirama

— Tu prisioneiro, tu?
— Vós o dissestes.
— Dos índios?
 — Sim.
 — De que nação?
 — Timbiras.
— E a muçurana funeral rompeste,
Dos falsos manitôs quebraste a maça...
 — Nada fiz... aqui estou.
 — Nada! —
 Emudecem;
Curto instante depois prossegue o velho:
— Tu és valente, bem o sei; confessa,
Fizeste-o, certo, ou já não foras vivo!
— Nada fiz; mas souberam da existência
De um pobre velho, que em mim só vivia...
— E depois?...
— Eis-me aqui.
 — Fica essa taba?
Na direção do sol, quando transmonta.
— Longe?
 — Não muito.
 — Tens razão; partamos!
— E quereis ir?...
 — Na direção do ocaso.
DIAS, Gonçalves. I-Juca-Pirama. Gonçalves Dias: antologia. São Paulo: Melhoramentos, s.d. p. 164.
Com base no texto, contextualizado na obra, está incorreto o que se afirma na alternativa

01) A narrativa, em sua totalidade, evidencia uma imagem sentimentalizada do índio.
02) Tanto o pai quanto o filho, na narrativa, são apresentados como heróis idealizados.
03) O diálogo entre pai e filho traduz a resignação daquele em relação ao comportamento deste.
04) O comportamento do filho, na condição de prisioneiro dos Timbiras, para o pai, fere a honra dos Tupis.
05) O velho pai lança mão de sua história de invencibilidade como guerreiro para reconduzir o filho ao rito de morte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário